Eras da produção

Revolução industrial e Você

Introdução

Revolução Industrial é um termo cuja maioria ignora o significado. Assim, por este motivo, resolvi produzir este texto, para que com o conhecimento do passado você possa planejar e se preparar para o futuro.

Há tempos eu já fiz um vídeo relacionando a educação, ou a formação, à qualificação para o trabalho. Agora vou adotar outra abordagem, vou revisar o contexto histórico das organizações, com foco nas indústrias, para te ajudar a escolher em que se qualificar e a melhor forma de fazê-lo.

A era inicial da produção industrial

Podemos considerar que os trabalhos de produção, com a finalidade de comercializar o produto, se iniciaram com os artesãos individuais, ou seja, aqueles indivíduos que saíram do feudo e foram para a cidade, ou os burgos.

Nesta época bastava que o profissional soubesse criar produtos, com uma boa qualidade, ou seja, gerasse produtos que atendessem os clientes. O relacionamento e a comunicação eram fáceis porque eram realizados diretamente entre o produtor e o comprador. Também quanto à matéria prima era simples, o próprio artesão comprava de um fornecedor conhecido ou ele próprio a fabricava: barro, madeira, couro.

É possível supor então que bastava ao artesão dominar a técnica de produção, saber selecionar a quantidade e a variedade de matéria prima e ter uma boa comunicação com os clientes, sabendo estabelecer os preços.

O aumento do número de artesãos

Quando a quantidade de artesãos, produzindo os mesmos produtos em uma mesma região, aumentou muito, os artesãos se reuniram e criaram as corporações de ofício. Estas corporações eram um misto de sindicato, previdência social, fiscalização e formação profissional. Suas regras eram simples: a profissão de artesão iniciava quando o jovem começava, na condição de aprendiz, indo morar com o mestre, iniciando por fazer as atividades básicas e, passo a passo, aprendendo as atividades e técnicas do mestre, até um dia adquirir a qualificação de mestre e poder abrir sua própria oficina.

As corporações de ofício eram a garantia de que; somente os profissionais daquela corporação podiam atuar na localidade, e ainda, que todos tinham cumprido todas as etapas dos processos de qualificação. As corporações também recebiam, fiscalizavam e investigavam reclamações; após o que tomavam as medidas adequadas, tendo poder inclusive para rebaixar o artesão de sua condição de mestre. Outra atividade das corporações era garantir uma renda para a viúva, ou para o associado, quando de algum problema de saúde ou incapacidade.

Nesta fase a produção, compra e venda continuava sendo tarefa do artesão, mas foram incluídas novas funções externas, porém relacionadas às atividades fim da organização: finanças, auditoria e previdenciária entre outras.

Primeira Revolução Industrial

A primeira grande revolução na produção, chamada revolução industrial, foi caracterizada pela inclusão das máquinas a vapor no processo produtivo. As máquinas a vapor substituíram os homens, as tarefas foram automatizadas e padronizadas, de forma que a produção aumentou em escala. Deixou de existir a estrutura simples onde o artesão se comunicava diretamente com clientes e fornecedores. Foram criadas empresas, e com elas algumas novas funções foram criadas. Em lugar do artesão passou a existir o operador de máquinas, para a produção e, em função do volume de trabalho, foram criados os setores de compras, de vendas e de controle “de” qualidade.

Outras funções foram criadas: a engenharia, para projetar as máquinas, mantê-las e modelar os produtos, além de toda a infraestrutura de suporte para garantir o funcionamento das máquinas: carvão, água etc. Fora da empresa surgiu uma série de atividades, fabricação de máquinas a vapor, fornecimento de carvão, entre outros.

Segunda Revolução Industrial

A segunda revolução industrial consistiu basicamente na troca do vapor pela eletricidade para o acionamento das máquinas. Nesta era são mantidas as funções criadas na era anterior, com a substituição da expertise mecânica-vapor pela mecânica-elétrica. Agora já não eram mais necessárias as atividades relacionadas ao combustível a base de carvão; em seu lugar surgiram as fontes geração de energia elétrica, as linhas de transmissão e as instalações locais, com seus projetos. Com isto surgiram as funções de técnico e engenheiro eletricista, além das fábricas dos insumos para as novas necessidades.

Nesta etapa surgiu o chamado controle estatístico de processo, prática incluída em função da Segunda Guerra Mundial, quando os homens foram para a guerra e as mulheres entraram, rapidamente, no mercado de trabalho, ainda não tão qualificadas, sendo responsáveis pela produção em larga escala para os itens de guerra a serem utilizados em locais distantes. Não era possível ao controle da qualidade testar todos os itens produzidos, então os testes passaram a ser amostrais.

O controle estatístico de processo estabeleceu uma relação confiável entre uma amostra e um lote de produção, garantindo a “qualidade” de toda a produção a partir da testagem de uma pequena fração.

Terceira Revolução Industrial

A terceira revolução industrial caracterizou-se pela inserção da automação mais independente. A robótica, a internet e a computação assumiram maior espaço na cadeia produtiva, tornando a atividade fim das empresas, a produção propriamente dita, quase independente, deixando distante aquela ideia do artesão, responsável por produzir. Agora as máquinas eram programadas para serviços cada vez mais padronizados e repetitivos.

Foram incluídos no processo profissionais de diversas áreas de TI, marketing e toda a infraestrutura de suporte a todas estas atividades

Ainda nesta era, foram criadas diversas técnicas, que chamo de sopa de letras, para “garantir a qualidade” da produção. Além, claro, da adoção das normas ISO.

Quarta Revolução Industrial

A quarta revolução industrial se caracteriza, basicamente, pela inclusão da inteligência e velocidade aos processos produtivos. A inteligência artificial, nanotecnologia e a internet entre outras coisas são os pontos fortes desta nova era.

A formação necessária para os novos tempos está associada à tecnologia, mas é claro que esta formação é adicional às demais inseridas nas eras anteriores.

Análise das eras

É possível concluir que as novas eras não reduzem a quantidade de funções, ao contrário. E que novas funções trazem a necessidade de novas qualificações, que em muitos casos não existiam, ou melhor, nem eram cogitadas nas eras anteriores.

A divisão das eras foi feita com base em tecnologias, mas poderiam ser utilizados outros parâmetros. O ponto importante a se observar é que: embora as tecnologias tenham mudado, algumas organizações ainda se mantêm em “eras passadas”. Quem não conhece empresas que mantém o “controle de qualidade”, ou usam o artesão para realizar seus produtos?

Como se preparar para o Mercado de Trabalho

Seja você alguém procurando se preparar para um emprego, ou para abrir uma empresa, o importante é identificar a que era deseja pertencer, que atividade quer exercer, se preparar e se apresentar para o serviço.

Parece obvio o que falei no parágrafo anterior, mas se o seu perfil é o de artista, artesão, você pode usar desde o couro, por exemplo, até aplicativos avançados para criar sua arte. Se você não domina tecnologia, além do básico, pode seguir para as áreas administrativas e se, ao contrário, deseja atuar na área de alta tecnologia …

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